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Comissão israelense aponta que Hamas cometeu violência sexual “sistemática” em ataque de 7 de outubro e contra reféns em Gaza

Publicada em: 14/05/2026 05:45 -

A investigação afirma que a violência sexual teria sido usada como “instrumentos de terror” para "maximizar dor e sofrimento" das vítimas. (Foto: Reprodução/YouTube/VEJA+)

 

Relatório de 300 páginas, baseado em 430 entrevistas e mais de 10 mil registros, descreve estupros, mutilações e abusos como “instrumentos de terror”; grupo terrorista nega acusações.

 

Na última terça-feira (12), uma comissão civil independente de Israel divulgou um documento de 300 páginas no qual acusa o Hamas e outras facções terroristas palestinas de empregar violência sexual de modo “sistemático e generalizado” tanto nos ataques de 7 de outubro de 2023 quanto contra reféns mantidos na Faixa de Gaza.

 

De acordo com a BBC, a apuração sustenta que estupros, agressões sexuais e mutilações foram usados como “instrumentos de terror” com o propósito de “maximizar a dor e o sofrimento” das vítimas.

 

O levantamento é considerado o mais aprofundado já publicado sobre as alegações de abusos sexuais ligados à incursão liderada pelo Hamas, que matou cerca de 1,2 mil pessoas em Israel e levou ao sequestro de aproximadamente 250 reféns.

 

Para elaborar o relatório, a comissão reuniu 430 entrevistas gravadas com sobreviventes e testemunhas, mais de 10 mil fotos e vídeos — incluindo registros feitos pelos próprios terroristas — além de documentos oficiais e materiais coletados nos locais atacados.

 

Segundo a comissão, houve um padrão repetido de violência sexual em diferentes pontos, como o festival de música Nova, kibutzim e bases militares israelenses invadidas. Relatos mencionam estupros coletivos, mutilações e corpos de mulheres encontrados sem roupas íntimas.

 

Evidências reunidas

 

O relatório também mostra que muitas vítimas foram executadas logo após os abusos, frequentemente com tiros na cabeça. Um sobrevivente do festival Nova contou que foi tratado como “boneca sexual” pelos terroristas. Mais de 370 pessoas morreram naquele local, um dos mais atingidos do ataque.

 

A investigação concluiu ainda que os abusos sexuais prosseguiram contra reféns em Gaza, afetando homens e mulheres mantidos em cativeiro por longos períodos. O documento descreve esses casos como uma “instrumentalização da violência sexual” pelos terroristas palestinos.

 

Alguns ex-reféns, como Amit Soussana, Arbel Yehud, Romi Gonen, Rom Braslavski e Guy Gilbol Dalal, já haviam revelado publicamente episódios de abuso sexual. Outras vítimas preferiram falar apenas com médicos, terapeutas e investigadores.

 

Entre as novas denúncias, o relatório cita o caso de dois parentes jovens que teriam sido forçados pelos sequestradores a praticar atos sexuais entre si. Para os autores, o episódio integra “um padrão distinto de violência direcionada a familiares e de exploração das relações familiares como instrumentos de terror”.

 

A comissão afirmou que os atos descritos podem ser classificados como “crimes de guerra, crimes contra a humanidade e atos genocidas segundo o direito internacional”. As provas foram armazenadas de forma segura e poderão ser usadas em futuras investigações e ações judiciais.

 

‘O sofrimento não pode ser esquecido’

 

Apesar das evidências, o Hamas continua negando as acusações de violência sexual durante os ataques e no cativeiro em Gaza.

 

No entanto, uma apuração anterior conduzida por uma representante especial da ONU para Violência Sexual em Conflitos concluiu haver “fundamento razoável” para acreditar que crimes sexuais, incluindo estupros coletivos, ocorreram nos ataques de 7 de outubro.

 

Os autores do novo relatório ressaltaram que seguiram rigorosos protocolos de verificação e não utilizaram depoimentos obtidos em interrogatórios de palestinos presos por Israel, a fim de manter a independência da investigação.

 

A comissão também informou que enfrentou dificuldades na coleta de provas, pois parte relevante dos vestígios forenses teria sido perdida nos primeiros dias após os ataques, devido à atuação rápida das equipes de resgate e emergência.

 

Além de servir como base para possíveis processos judiciais, o grupo destacou que o relatório também busca preservar um registro histórico dos acontecimentos de 7 de outubro.

 

Segundo os autores, muitas vítimas de violência sexual morreram durante os ataques e outras continuam profundamente traumatizadas, tornando essencial “garantir que o sofrimento vivido por elas não seja negado, apagado ou esquecido”.

FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e O Globo

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