Estudo revela que 43,8% dos jovens buscam carreira militar.
Pesquisa internacional revela que religião, conservadorismo e instabilidade econômica impulsionam desejo de ingressar nas Forças Armadas e Polícias Militares entre brasileiros de 18 a 29 anos.
Pesquisa conduzida por instituições como King’s College London, UFPE, UFMG e Sciences Po mostra que os jovens evangélicos estão entre os brasileiros com maior propensão a seguir a vida militar. O levantamento ouviu 2.055 jovens sem experiência prévia nas Forças e identificou que fatores como fé, visão conservadora e insegurança financeira estão fortemente associados a esse interesse.
Em 2025, 61,5% dos evangélicos entrevistados manifestaram vontade de ingressar no Exército, Marinha ou Aeronáutica, enquanto 49,3% consideraram a Polícia Militar como opção. Esse grupo representa a maior parcela entre os interessados nas Forças Armadas: 32,7% em 2025, ante 30,7% em 2021. Já na PM, os católicos lideram com 32,6%, embora em queda proporcional.
A pesquisa, intitulada “Tornar-se militar ou sobreviver”, analisou 173 variáveis entre outubro e novembro de 2021, como renda, escolaridade dos pais, religião, posicionamento político e percepção do mercado. Os resultados indicam que muitos jovens associam a farda a valores tradicionais — autoridade, disciplina, ordem e estabilidade — e se identificam culturalmente com o ambiente militar, sem que isso seja apenas uma consequência do ingresso na carreira.
A crise econômica e o medo do desemprego, agravados pela pandemia, também pesaram decisivamente. Benefícios como salário fixo, assistência médica, estabilidade, aposentadoria diferenciada e ascensão social são os principais atrativos.
Os pesquisadores propuseram duas hipóteses: a primeira, “getting by” (sobrevivência), ligada à segurança financeira; a segunda, “becoming” (tornar-se), ligada à afinidade ideológica com hierarquia, patriotismo e autoridade. Na prática, as duas motivações caminham juntas.
O conservadorismo também mostrou forte correlação: jovens com opiniões contrárias ao aborto, à legalização das drogas e favoráveis à posse de armas, à pena de morte e a costumes sociais rígidos têm mais chances de se interessar pela vida militar.
As Forças Armadas são a opção mais desejada (43,84%), ante 32,16% das Polícias Militares. A diferença se explica, segundo o estudo, pelo menor risco percebido nas Forças, enquanto a PM é associada ao confronto direto com a violência urbana.
Jovens em situação mais vulnerável economicamente se interessam mais pela PM, vista como via de mobilidade social. Já as Forças Armadas atraem perfis socioeconômicos mais diversos. Homens negros e pardos também mostraram maior propensão ao ingresso do que brancos.
Para os autores, o retrato é do Brasil contemporâneo: desemprego juvenil alto, desigualdade e presença militar no debate público. A carreira surge, assim, como promessa de estabilidade, prestígio e identificação com valores conservadores.
FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão


