Estado Islâmico ataca cristãos na Nigéria e mata 12 pessoas. - Foto: Christian Post/Por Anugrah Kumar — www.christianpost.com — texto adaptado
Grupo extremista reivindicou invasão a vila cristã em Adamawa; outros ataques na região resultaram em dezenas de vítimas, sequestros e destruição.
O braço do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) realizou um ataque a uma comunidade cristã no estado de Adamawa, nordeste da Nigéria, resultando na morte de pelo menos 12 pessoas e na queima de uma igreja. A informação foi divulgada pela organização cristã internacional Barnabas Aid.
Além dessa ação, outros ataques atribuídos a extremistas islâmicos e grupos armados foram registrados em diferentes partes do país.
Detalhes do ataque a Kubako e outras investidas
Conforme relatório da Barnabas Aid divulgado na semana passada, o grupo terrorista assumiu autoria nas redes sociais, afirmando que "soldados do Califado" invadiram a vila de Kubako em 21 de abril e executaram 12 "combatentes cristãos". A entidade explicou que o EI tem utilizado o termo "combatentes" em sua propaganda recente para se referir a cristãos e judeus que se negam a se converter ao islamismo ou a se submeter ao governo islâmico.
No mesmo dia, no norte de Adamawa, suspeitos islamistas mataram Emmanuel Ezeokwe, pastor de uma igreja na vila de Zinai.
Em outro incidente separado, homens armados invadiram a vila de Guyaku, na região administrativa de Gombi, também em Adamawa, na noite do último domingo, matando pelo menos 29 pessoas, de acordo com a agência Associated Press (AP).
O Estado Islâmico reivindicou esse ataque via Telegram. O governador de Adamawa, Ahmadu Umaru Fintiri, visitou Guyaku na semana passada e condenou energicamente a violência.
Na mesma noite do ataque a Guyaku, criminosos invadiram um orfanato na região centro-norte da Nigéria e sequestraram 23 crianças. Quinze delas foram resgatadas depois, segundo a AP.
A instituição, chamada Dahallukitab Group of Schools, funcionava sem autorização em uma área isolada de Lokoja, capital do estado de Kogi, conforme informou o comissário estadual Kingsley Femi Fanwo. Nenhum grupo assumiu a autoria desse sequestro.
Contexto dos grupos extremistas e resposta internacional
Não ficou imediatamente claro qual dos dois principais grupos ligados ao Estado Islâmico na Nigéria foi responsável pelo ataque em Guyaku. O ISWAP age principalmente no nordeste, incluindo Adamawa. Outro grupo, conhecido como Lakurawa, atua com mais frequência nos estados centro-norte de Sokoto e Kebbi. A vila de Kubako fica perto da fronteira com Borno, onde o ISWAP já matou centenas de civis e militares nigerianos.
O nordeste da Nigéria é a principal área de atuação tanto do ISWAP quanto do Boko Haram, grupo armado islâmico que mantém uma insurgência na região há mais de 20 anos.
A Nigéria ocupa o quarto lugar no Índice Global do Terrorismo e registrou o maior aumento em mortes por terrorismo em 2025, com alta de 46% no número de fatalidades.
Diante da escalada da violência, os Estados Unidos enviaram 200 soldados à Nigéria no início do ano para treinar as forças locais no combate a extremistas islâmicos. A implantação ocorreu de forma gradual, com militares posicionados em diferentes locais para apoiar treinamento e coordenação. Autoridades nigerianas afirmaram que os americanos não atuarão em combate direto, mas oferecerão orientação técnica, incluindo apoio aéreo e tático.
A decisão aconteceu após uma ação aérea dos EUA em 25 de dezembro, quando um navio de guerra americano lançou mísseis contra dois supostos acampamentos do Estado Islâmico na Nigéria. O porta-voz do Exército nigeriano, major-general Samaila Uba, disse na ocasião que o governo havia solicitado mais apoio dos Estados Unidos.
Um porta-voz do Comando Africano dos EUA destacou que a ameaça de grupos extremistas na África Ocidental é grave e contínua.
O envio das tropas também ocorreu após declarações do então presidente Donald Trump, que acusou o governo nigeriano de permitir massacres de cristãos e alertou para possíveis cortes de ajuda ou aumento da pressão militar caso os ataques persistissem. O presidente nigeriano Bola Ahmed Tinubu negou as acusações, afirmando que tanto cristãos quanto muçulmanos têm sido vítimas da insurgência.
Conclusão
Há anos, líderes cristãos na Nigéria denunciam os assassinatos cometidos por grupos islâmicos no norte e na região conhecida como Cinturão Médio como um genocídio anticristão, com dezenas de milhares de mortos nos últimos 15 anos.
Os ataques recentes reforçam a gravidade da situação e a necessidade urgente de ações eficazes para proteger comunidades vulneráveis e promover a paz em uma região marcada por conflitos prolongados.
FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão e Anugrah Kumar – Christianpost)


