Arquivo/Agência Brasil
IPCA-15 registra maior taxa para o mês desde fevereiro; em 12 meses, indicador acumula 4,37%, acima dos 3,9% do mês anterior.
Em abril, o bolso do brasileiro sentiu o impacto da disparada nos preços de comida e combustíveis, que levaram a prévia da inflação a 0,89%. O resultado supera os 0,44% registrados no mesmo mês do ano passado e representa o maior índice para abril desde fevereiro, quando a taxa foi de 1,23%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que antecipa a inflação oficial do país, acumula alta de 4,37% nos últimos 12 meses. No levantamento encerrado em março, esse percentual era de 3,9%.
Os números foram apresentados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento do IBGE avalia nove categorias de produtos e serviços. Veja as variações e seus respectivos impactos:
· Alimentos e bebidas: 1,46% (impacto de 0,31 ponto percentual)
· Transportes: 1,34% (0,27 p.p.)
· Saúde e cuidados pessoais: 0,93% (0,13 p.p.)
· Moradia: 0,42% (0,07 p.p.)
· Vestuário: 0,76% (0,04 p.p.)
· Gastos pessoais: 0,32% (0,03 p.p.)
· Utensílios domésticos: 0,48% (0,02 p.p.)
· Comunicação: 0,48% (0,02 p.p.)
· Educação: 0,05% (0,00 p.p.)
No grupo de alimentação, o destaque foi a comida consumida em casa, cuja alta passou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Os principais vilões foram:
· Cenoura (25,43%)
· Cebola (16,54%)
· Leite longa vida (16,33%)
· Tomate (13,76%)
· Carnes (1,14%)
Já as refeições fora do lar subiram 0,70%, o dobro da taxa de março (0,35%).
Segundo Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), a entressafra explica parte da alta nos alimentos. “A redução na oferta de certos produtos, como o leite, tem pressionado o indicador”, afirmou.
Combustíveis em alta
No setor de transportes, a aceleração veio dos combustíveis, com aumento médio de 6,06% no mês. A gasolina foi o item de maior pressão entre os 377 subitens pesquisados pelo IBGE: subiu 6,23%, contribuindo com 0,32 p.p. para o índice. O óleo diesel disparou 16%, com impacto de 0,04 p.p.
Impactos do conflito no Oriente Médio
Abril foi marcado por novos episódios da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito no Oriente Médio afeta a indústria do petróleo, especialmente devido aos bloqueios no Estreito de Ormuz — por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo e gás antes da guerra.
A instabilidade na oferta reduz a quantidade de petróleo disponível, elevando os preços. Como petróleo e derivados são commodities com cotações internacionais, até países produtores como o Brasil sofrem com os aumentos.
O governo brasileiro tenta conter a escalada com medidas como isenção de impostos e subsídios a produtores e importadores. Para Queiroz, da Apas, “o conjunto de ações para suavizar os efeitos da guerra sobre a economia interna ainda tem impacto pequeno, mas relevante”.
Diferença entre a prévia e o índice fechado
O IPCA-15 segue a mesma metodologia da inflação oficial (IPCA), que orienta a meta do governo — 3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Os dados de abril indicam que o país ainda está dentro do limite.
A principal diferença entre os dois indicadores está no período de coleta e na abrangência geográfica. A prévia é calculada antes do fim do mês de referência: os preços foram coletados entre 18 de março e 15 de abril.
Ambos os índices consideram produtos e serviços adquiridos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos (atualmente R$ 1.621). O IPCA-15 abrange 11 regiões metropolitanas (incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e outras); já o IPCA completo cobre 16 localidades, adicionando capitais como Vitória, Campo Grande e Aracaju. O IPCA cheio de abril será divulgado em 12 de maio.
FONTE: Kadoshwr com informações da Agência Brasil


