Dólar e petróleo caem após fala de Trump sobre Irã. - Foto: Portal ES Brasil/Agência Brasil
Moeda americana reflete queda global impulsionada por falas de Trump sobre diálogo com Irã; mercado também monitora dados fiscais e de inflação no Brasil.
A moeda norte-americana registrava queda na manhã desta segunda-feira (23) no mercado à vista, sendo negociada perto de R$ 5,28 por volta das 9h30. O movimento ocorre após a divisa ter encerrado a sexta-feira (20) cotada a R$ 5,3092, com alta de 1,79%.
O recuo acompanha o movimento global de perda de força do dólar e a diminuição dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). Esse cenário é impulsionado pela desvalorização do petróleo, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA e o Irã mantiveram conversas positivas e que ataques militares foram adiados, reduzindo os riscos geopolíticos — ainda que o Irã tenha negado a existência desse diálogo.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, e os rendimentos dos Treasuries seguiam em baixa após as declarações de autoridades iranianas. O barril do petróleo Brent e do WTI recuavam mais de 6%. Nos mercados acionários, os futuros de Nova York e as bolsas europeias operavam em alta superior a 1%, enquanto o Ibovespa futuro oscilava perto da estabilidade, com leve inclinação negativa.
Trump declarou que Washington e Teerã tiveram conversas "muito boas e produtivas" para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, e afirmou ter ordenado ao Departamento de Defesa dos EUA que adiasse por cinco dias possíveis ataques a usinas iranianas, condicionando a suspensão ao sucesso das negociações. Contudo, segundo a Bloomberg, o Irã não manteve contato direto ou indireto com os EUA nos últimos dias, contrariando a versão de um diálogo "produtivo". A Embaixada do Irã em Cabul, no Afeganistão, declarou que Trump teria recuado diante de Teerã após uma "advertência firme" do país persa.
No cenário doméstico, o real segue parcialmente amparado pelo superávit na balança de petróleo, mas especialistas apontam que uma eventual escalada do conflito no Irã pode pressionar a moeda brasileira nos próximos meses. Segundo analistas, a manutenção de preços elevados do petróleo costuma aumentar a aversão a riscos, fortalecer o dólar e elevar a volatilidade em economias emergentes. Além disso, subsídios ao diesel e impostos sobre exportação podem limitar ganhos do real, enquanto os juros globais em patamares elevados seguram a força da moeda americana.
O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a projeção suavizada para o IPCA acumulado em 12 meses subiu de 3,99% para 4,07%. A mediana das estimativas para o IPCA de 2026 avançou de 4,10% para 4,17%, ainda abaixo do limite superior da meta de inflação. Para 2027, a mediana permaneceu em 3,80%, e para 2028 passou de 3,50% para 3,52%.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal, calculado pela FGV, registrou alta de 0,46% na terceira quadrissemana de março, acumulando elevação de 3,25% nos últimos 12 meses, após avanços de 0,26% e 0,04% nas duas semanas anteriores.
De acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o primeiro Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, que será assinado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, deverá indicar um bloqueio de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões, com um contingenciamento menor. O documento, que reflete o aumento da arrecadação impulsionado pela alta do petróleo, está previsto para ser publicado no dia 24 de março.
FONTE: Kadoshwr Com informações da comunhão e Estadão Conteúdo – Economia, Silvana Rocha


