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Força-tarefa do MPT liberta 22 trabalhadores de condições análogas à escravidão em fazenda no interior paulista

Publicada em: 27/03/2026 17:09 -

Divulgação MPT/Os trabalhadores eram colocados para trabalhar em pé em cima do caminhão em movimento, podendo despencar de lá de cima
 
 
Fiscalização na Fazenda Nova Era, em Batatais, encontrou alojamentos precários, falta de EPIs e exposição a riscos graves; empregador assinou TAC e pagará mais de R$ 180 mil em indenizações e verbas rescisórias.

 

Uma ação do Ministério Público do Trabalho (MPT) libertou 22 trabalhadores que eram mantidos em condições análogas à escravidão na cidade de Batatais, interior de São Paulo.

 

A operação de fiscalização ocorreu entre os dias 16 e 19 de março na Fazenda Nova Era, onde acontecia o cultivo de cana-de-açúcar. Durante a vistoria, o MPT constatou diversas irregularidades, entre elas:

 

· exposição dos funcionários a risco de morte e quedas;

· falta de banheiros;

· ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs);

· realização de atividades sem exames admissionais;

· ausência de carteira de trabalho assinada.

 

Os trabalhadores eram obrigados a permanecer em pé sobre caminhões em movimento, correndo risco de cair. Nos cinco alojamentos mantidos pelos empregadores na cidade vizinha de Pontal (SP), os auditores também identificaram problemas, como:

 

· más condições de limpeza;

· falta de privacidade;

· ausência de camas e roupas de cama;

· estruturas improvisadas e pessoas dormindo no chão;

· cozinhas inadequadas;

· botijões de gás armazenados em locais sem ventilação.

 

A procuradora e coordenadora regional da CONAETE (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas), Regina Duarte da Silva, destacou a gravidade do quadro encontrado.

 

"O que testemunhamos nesta operação foi uma afronta direta à dignidade da pessoa humana e aos direitos fundamentais garantidos pela nossa Constituição. Encontrar trabalhadores pernoitando no chão e expostos a riscos de acidente reforça a necessidade urgente de combatermos a precarização no meio rural. O resgate desses trabalhadores extrapola o cumprimento de um dever legal; é uma medida humanitária para interromper um ciclo de exploração que degrada o valor do trabalho", afirmou.

 

Sanções ao empregador

 

Após as diligências, o MPT promoveu audiências administrativas que culminaram na assinatura de um termo de ajuste de conduta (TAC) por parte do empregador. O acordo beneficiou 39 trabalhadores no total, incluindo os 22 resgatados. Os outros 17 funcionários não estavam submetidos às condições degradantes.

 

O empregador assumiu o compromisso de regularizar imediatamente os contratos de trabalho, eliminar as práticas ilegais e cumprir as demais exigências legais. Como reparação pelos danos causados, ele pagou R$ 70,4 mil em verbas rescisórias e R$ 110 mil em indenizações por danos morais individuais — sendo R$ 5 mil destinados a cada um dos trabalhadores que sofreram a condição análoga à de escravo. Em caso de descumprimento das cláusulas do TAC, o proprietário estará sujeito a uma multa de R$ 5 mil por infração.

FONTE: Kadoshwr com informações do IG último segundo

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