Sara Freitas foi morta em 24 de outubro de 2023, segundo o MP a mando do marido, Ederlan Santos Mariano - Foto: Reprodução/Instagram
Marido da vítima, apontado como mandante, recebeu a maior sentença; crime de feminicídio foi motivado por pagamento e crueldade, segundo decisão do Tribunal do Júri.
Após dois dias de sessão no Fórum Criminal de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, o Tribunal do Júri decidiu condenar três acusados de participarem da morte da cantora gospel Sara Freitas. O veredicto foi divulgado na quarta-feira (25), encerrando uma das fases mais aguardadas do processo.
Os réus foram sentenciados por feminicídio qualificado, em razão de motivação vil, promessa de recompensa, utilização de meio cruel e situação que impossibilitou a defesa da vítima. As penas estipuladas foram: 34 anos e cinco meses para o esposo da artista, Ederlan Santos Mariano; 33 anos e dois meses para Victor Gabriel Oliveira Neves; e 28 anos e seis meses para Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como Bispo Zadoque. No caso de Weslen, a pena foi reduzida devido à confissão realizada no decorrer do processo. O julgamento estava marcado inicialmente para novembro de 2025, mas foi adiado após os advogados de defesa se retirarem do local sob a justificativa de insegurança e infraestrutura inadequada. A atuação foi considerada irregular pela magistratura, que manteve a realização do júri na mesma cidade.
Sara Freitas foi assassinada em 24 de outubro de 2023. Meses depois, em abril de 2025, um quarto envolvido, o ex-motorista de aplicativo Gideão Duarte de Lima, já havia recebido condenação de 20 anos e quatro meses de prisão por seu papel no crime, que consistiu em levar a vítima ao local da execução. Conforme as apurações, cada um dos envolvidos desempenhou uma função específica no plano criminoso. “O cônjuge da vítima foi identificado como o mentor do homicídio, enquanto os demais atuaram diretamente na execução e no suporte logístico”, relatou o delegado responsável pelas investigações, Euvaldo Costa. Segundo ele, Ederlan Mariano teria encomendado o crime, Gideão transportou a cantora até o local, Victor Gabriel a imobilizou e Weslen, o Bispo Zadoque, desferiu os golpes de faca.
O Ministério Público da Bahia argumentou que o crime foi planejado com antecedência e cometido com extrema violência, além de envolver ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Durante os levantamentos, três dos acusados — Gideão, Victor Gabriel e Bispo Zadoque — admitiram terem dividido a quantia de R$ 2 mil paga pelo assassinato. “Houve pagamento e promessa de recompensa, o que evidencia o caráter torpe do delito”, apontaram os documentos do processo. As investigações também citaram um quinto indivíduo, Davi Oliveira, mencionado pelos réus como alguém que tinha ciência do planejamento, mas que não participou da ação propriamente dita. As autoridades não confirmaram se haverá responsabilização dessa pessoa.
O corpo da cantora foi localizado em 27 de outubro de 2023, às margens da BA-093, após quatro dias de buscas. Antes do desaparecimento, ela havia saído de sua residência, em Salvador, afirmando que iria a um compromisso religioso em Dias d’Ávila. Depois de entrar no veículo que a levaria ao destino, nunca mais foi vista com vida.
Parentes de Sara Freitas relataram que ela atravessava um relacionamento turbulento, com registros de agressões, e que tinha a intenção de se separar do marido, Ederlan Mariano. Ele chegou a fazer apelos públicos e organizar campanhas nas redes sociais e na imprensa à procura da esposa. A mãe da vítima contou que, pouco antes do crime, Sara mencionou que precisava revelar algo importante, mas não teve a oportunidade de fazê-lo.
FONTE: Kadoshwr com informações da comunhão


