...

...

Fome e repressão em Cuba: igrejas se tornam refúgio e distribuem ajuda em carroças

Publicada em: 13/03/2026 17:26 -

Os suprimentos de emergência foram distribuídos pelas igrejas em carroças. (Foto: BIC Church of Cuba/Samuel Diaz).


Com escassez de alimentos, combustível e energia, comunidades de fé distribuem ajuda humanitária em carroças; cristãos enfrentam perseguição e recorrem a cultos domésticos.

 

A ilha de Cuba atravessa uma das fases mais críticas de sua história recente, marcada por colapso econômico e insegurança alimentar. De acordo com informações do portal Christianity Today, a população local sofre com a falta de recursos básicos, e a fome se espalha em meio ao deterioramento dos serviços públicos.

 

O diretor da Trans World Radio (TWR) em Cuba, Moisés Pérez Padrón, relatou que nunca testemunhou uma situação tão grave. “As vias estão tomadas por detritos. Crianças e idosos reviram o lixo em busca de alimentos ou de objetos para vender. Os cortes de eletricidade superam doze horas diárias, e muitas famílias estão desmontando seus próprios móveis para conseguir lenha e cozinhar”, descreveu.

 

A crise energética e de combustíveis se intensificou depois que o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou, em janeiro, sanções contra nações que exportassem petróleo para o país, numa tentativa de pressionar o regime cubano a implementar mudanças políticas e econômicas. A população também ainda busca se reerguer após a passagem do furacão Melissa, fenômeno que atingiu todo o território e deixou mais de 735 mil desabrigados.

 

Diante do cenário desolador, organizações religiosas e ministérios têm se empenhado em levar auxílio aos cubanos. O Mennonite Central Committee (MCC), entidade dos Estados Unidos que há 43 anos atua na ilha em parceria com igrejas locais, enviou seis contêineres com produtos essenciais. A remessa incluiu carne enlatada, kits emergenciais, itens de higiene feminina, materiais para bebês, suprimentos escolares, sabão em barra e lençóis.

 

Devido à escassez e ao custo elevado da gasolina, as congregações precisaram improvisar: ao invés de caminhões, recorreram a carroças puxadas por cavalos para distribuir as doações. Jacob Lesniewski, codiretor regional do MCC para a América do Sul, descreveu a realidade encontrada como desoladora. “Ao chegar em Havana, já se percebe que algo está errado. Mas isso não se compara ao que vemos ao avançar para o leste. Localidades inteiras lembram cidades-fantasma, com fábricas, escolas e hospitais abandonados e em ruínas”, afirmou.

 

A socióloga Mayra Espino, pesquisadora do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo, destacou o papel central que as igrejas evangélicas passaram a exercer. “Num contexto em que o Estado já não consegue garantir serviços fundamentais, como saúde e educação, os templos se transformaram em espaços vitais — não só para acolhimento humanitário ou espiritual, mas para a construção de laços comunitários”, observou.

 

Embora cerca de 85% dos cubanos se declarem cristãos — a maioria católica e 11% evangélica —, a liberdade religiosa enfrenta sérias restrições. O país ocupa a 24ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Missão Portas Abertas. Denúncias de detenções arbitrárias, ameaças e assédio são frequentes. Cultos públicos são tolerados, mas a abertura de novas igrejas é proibida.

 

Moisés Pérez Padrón esclarece os limites da tolerância oficial: “As igrejas existentes funcionam, e o governo sabe onde estão. Não há impedimento para os cultos dominicais. O problema é a limitação do espaço religioso — não se pode erguer um novo templo”. Como alternativa, milhares de fiéis têm aderido às chamadas igrejas domésticas, que realizam encontros sigilosos em residências. Estima-se que existam entre 20 mil e 30 mil dessas comunidades ativas no país, operando sem identificação e sob constante vigilância estatal.

FONTE: Kadoshwr com informações de Christhianity today

Compartilhe: x
PUBLICIDADE