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Tensão no Oriente Médio eleva preço do petróleo e mobiliza reunião do G7

Publicada em: 10/03/2026 16:04 -

G7 discute alta dos preços do petróleo e impactos da guerra no Irã. - Foto: Divulgação/Divulgação Petrobras


Ministros das Finanças do grupo decidem manter reservas estratégicas intocadas por enquanto; barril atinge maior patamar desde 2022 com fechamento do Estreito de Ormuz.

 

A escalada do conflito envolvendo o Irã e o consequente bloqueio no Estreito de Ormuz colocaram as principais economias do mundo em estado de alerta. Reunidos em caráter emergencial nesta segunda-feira (9), os ministros da Fazenda do G7 – bloco que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – analisaram estratégias para conter a disparada nos valores do barril de petróleo, que já acumula alta de 30% desde o início das hostilidades na região.

 

Apesar da pressão nos mercados, a decisão do encontro foi de não acionar, por ora, os estoques estratégicos do grupo, estimados em 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões mantidos por exigências governamentais. A medida, que poderia forçar uma desaceleração nos preços, segue em avaliação, conforme explicou o ministro da Economia da França, Rolando Lescure: "Ainda não chegamos a esse ponto. O acordo é usar todas as ferramentas disponíveis, se necessário, para estabilizar o mercado, incluindo a eventual liberação das reservas".

 

O barril da commodity aproximou-se da marca de US$ 120, o valor mais expressivo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. O salto foi impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de um quarto de todo o petróleo consumido no planeta, e pelos ataques iranianos a infraestruturas de nações do Golfo Pérsico, como Bahrein e Catar, reduzindo a oferta de grandes produtores.

 

Riscos globais e impactos regionais

 

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou para a gravidade da situação: "Além dos entraves logísticos no Estreito de Ormuz, uma parte considerável da produção foi comprometida. Isso gera riscos significativos e crescentes para o abastecimento global".

 

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, ponderou que as projeções iniciais para 2026 apontavam para uma média de US$ 70 o barril, cenário agora distante. "Os impactos imediatos recaem sobre a Ásia e a Europa, nesta ordem. Mas, se o conflito perdurar e se intensificar, as repercussões negativas serão sentidas em escala mundial", afirmou à Agência Brasil.

 

Dados da AIE indicam que, em 2025, 80% do petróleo que cruzou o Estreito de Ormuz teve como destino o continente asiático. Apesar disso, a agência ressalta que qualquer interrupção prolongada no transporte marítimo teria efeitos cascata sobre toda a economia global.

 

Posições divergentes e reações internacionais

 

Enquanto potências ocidentais buscam soluções, o Irã atribui a crise a seus adversários. O presidente do Legislativo iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, utilizou as redes sociais para responsabilizar Estados Unidos e Israel pelo agravamento do conflito. "A agressão contra o Irã terá efeitos econômicos duradouros e vastos. O preço do petróleo pode sustentar-se acima dos US$ 100. A política de Donald Trump ameaça levar não apenas os EUA, mas o mundo inteiro à ruína", declarou.

 

Em contrapartida, o presidente americano, Donald Trump, minimizou a alta, classificando-a como um custo "muito pequeno" em prol da segurança global. "Assim que a ameaça iraniana for neutralizada, os preços cairão. Só os tolos pensariam diferente", rebateu.

 

Em uma ação concreta para mitigar os efeitos do bloqueio, a França anunciou o envio de uma frota de doze embarcações militares, incluindo um porta-aviões, ao Mar Vermelho. O presidente Emmanuel Macron descreveu a missão como "puramente defensiva", com o objetivo de assegurar a livre navegação nas proximidades do Estreito de Ormuz. A Alemanha, por sua vez, estuda endurecer a regulação sobre empresas petrolíferas, limitando reajustes de preços, conforme noticiou a mídia local Deutschlandfunk.

 

Cenário brasileiro: oportunidades e desafios

 

Em meio à turbulência, o Brasil surge como uma potencial alternativa para suprir parte da demanda internacional. Ticiana Álvares, do Ineep, observa que a Petrobras pode se beneficiar da redução da oferta do Oriente Médio, ampliando sua produção e exportação. "A própria geografia do fornecimento global será alterada. O Brasil e os Estados Unidos, especialmente no setor de derivados, podem se tornar opções para muitos países", explicou.

 

Internamente, a especialista acredita que a estatal brasileira tem condições de absorver parte do choque externo, evitando uma repasse integral da alta aos combustíveis. "A Petrobras pode segurar a variação dos preços de importação e amortecer o impacto nas bombas por um período. No entanto, esse poder de amortização é limitado porque o Brasil ainda importa derivados como gasolina e diesel e, com a privatização de refinarias como a Rlam, na Bahia, há menos instrumentos de controle sobre os preços praticados pelo setor privado", concluiu.

 

Ainda assim, alerta Ticiana, caso o conflito se prolongue, o país não estará imune a efeitos colaterais, como uma eventual inflação importada ou uma desaceleração da economia mundial, o que poderia comprometer o crescimento doméstico.

FONTE: Kadoshwr com informações da comunhão Agência Brasil – Últimas Notícias, Lucas Pordeus León/Agência Brasil

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