Exército israelense restabelece cessar-fogo em Gaza após ataques a alvos terroristas. Hamas é acusado de violações, resultando em dezenas de mortos palestinos. - Foto: Portal Comunhão/Agência Brasil
Ofensiva iraniana atinge representações diplomáticas, infraestrutura energética e instalações estratégicas de aliados ocidentais, elevando tensões na região.
Os Estados Unidos determinaram o fechamento de suas representações diplomáticas na Arábia Saudita e no Kuwait nesta terça-feira, além de determinar a saída de funcionários não prioritários de outras cinco nações do Oriente Médio. A medida ocorre em resposta a uma série de ataques com drones lançados pelo Irã contra alvos americanos e de países aliados na região.
A ofensiva iraniana, iniciada na segunda-feira, visa retaliar bombardeios realizados por Israel e pelos EUA que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no último sábado. Como parte da resposta, Washington determinou a retirada de diplomatas não essenciais e seus familiares dos Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein, Iraque e Jordânia.
Os ataques também causaram danos significativos ao setor energético, afetando instalações de processamento de combustível e gás, além de comprometer a navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Representações sob fogo
Na capital saudita, a embaixada americana foi alvo de dois drones que provocaram um princípio de incêndio e danos de pequena monta, segundo informações do Ministério da Defesa da Arábia Saudita, que não atribuiu oficialmente a autoria do ataque. Horas depois, as forças de defesa sauditas interceptaram oito drones nas proximidades de Riad e da cidade de Al-Kharj. O Canadá também anunciou o fechamento temporário de sua embaixada na capital saudita, suspendendo atendimentos presenciais até o final da semana.
No Kuwait, a representação diplomática dos EUA igualmente suspendeu suas atividades após ser atingida.
Infraestrutura econômica na mira
Nos Emirados Árabes Unidos, os ataques concentraram-se em ativos estratégicos. A Zona Industrial de Petróleo de Fujairah, importante centro de armazenamento e exportação localizado no Golfo de Omã, foi um dos alvos. A região abriga instalações que permitem o escoamento de petróleo bruto sem a necessidade de cruzar o Estreito de Ormuz, rota frequentemente ameaçada pelo Irã.
Duas unidades da Amazon na área foram atingidas por drones e sofreram "danos significativos", conforme comunicado da empresa de computação em nuvem. Uma das instalações foi atingida no domingo, provocando incêndio no centro de dados. No Bahrein, um drone caiu nas proximidades de uma unidade da empresa, causando avarias.
Autoridades dos Emirados informaram que o país enfrentou mais de 800 ataques com drones e cerca de 200 disparos de mísseis nos últimos dias, resultando em três mortes e 68 feridos. O porta-voz do Ministério da Defesa local, Abdul Nasser Al Humaidi, afirmou que, embora a maioria das investidas tenha sido interceptada, 57 drones e um míssil balístico atingiram o território emiradense. Ele garantiu que o país dispõe de estoques estratégicos de armamentos e sistemas de defesa capazes de sustentar a proteção contra investidas iranianas por longos períodos.
Aviação e gás natural paralisados no Catar
O Catar enfrenta graves consequências nos setores aéreo e de gás natural. A Qatar Airways mantém suas operações suspensas devido ao fechamento do espaço aéreo do país. A paralisação atinge um dos polos de aviação mais movimentados do mundo: segundo a consultoria Cirium, pelo menos 11 mil voos com origem ou destino ao Oriente Médio foram cancelados, afetando mais de 1 milhão de passageiros.
A estatal QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de derivados como polímeros, metanol e alumínio, após danos em suas principais instalações de gás natural liquefeito (GNL) causados por um ataque iraniano. A empresa já havia interrompido a fabricação de determinados produtos transformados em março, em decorrência dos impactos no processamento de GNL.
Omã também registra incidentes
A agência de notícias de Omã informou que um drone caiu nas imediações do porto de Salalah, importante centro logístico do país, sem causar vítimas ou danos materiais. Outros dois equipamentos não tripulados foram abatidos no sudoeste do território omanense. O governo local, que historicamente atua como mediador em negociações entre Irã e Estados Unidos, condenou os ataques e afirmou que adotará todas as medidas necessárias para garantir a segurança nacional.
FONTE: Kadoshwr com informações da Estadão Conteúdo – Internacional, Redação O Estado de S. Paulo


