Player
 

 

Congo Oriental: cristãos fogem de ataques armados e agora lidam com surto mortal de Ebola

Publicada em: 21/05/2026 05:14 -

A OMS declarou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”. (Foto: Reprodução/ICC)

 


Surto da variante Bundibugyo atinge zona de conflito em Ituri, onde fugas constantes e falta de acesso a cuidados básicos agravam crise; OMS decreta emergência global.

 

No leste da República Democrática do Congo (RDC), populações cristãs que já suportavam há anos perseguições e ataques de milícias armadas agora precisam lidar com mais um flagelo: um surto da doença do vírus Ebola.

 

Enquanto milhares de famílias fogem da violência imposta pelo grupo armado ADF (Forças Democráticas Aliadas), a epidemia aprofunda o sofrimento de pessoas que já perderam lares, entes queridos e qualquer sensação de proteção.

 

Na última quarta-feira (14), autoridades confirmaram que se trata do 17º surto de Ebola registrado no país desde 1976. O foco inicial foi identificado em Mongwalo, na província de Ituri, região nordeste da RDC.

 

De acordo com os serviços de saúde locais, três zonas sanitárias já foram afetadas: Rwampara, Mongwalu e Bunia. A organização International Christian Concern (ICC) informa que cerca de 100 mortes ocorreram na região, e muitos desses óbitos podem estar ligados ao vírus.

 

A Agência de Saúde da União Africana apontou que o surto é causado pela variante Bundibugyo — uma cepa específica do Ebola. Essa mesma variante já havia provocado um surto no país em 2012.

 

“Diferentemente da variante Zaire, mais conhecida e que conta com vacina aprovada e protocolos de tratamento já estabelecidos, a variante Bundibugyo não possui atualmente nenhuma vacina disponível nem opções terapêuticas adequadas”, afirmou o ministro da Saúde, Roger Kamba, em entrevista coletiva.

 

“Isso eleva consideravelmente o risco de propagação rápida e dificulta a resposta médica”, acrescentou.

 

‘Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional’

 

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) destacou que “a situação é especialmente preocupante” porque muitas áreas atingidas são de difícil acesso devido à atuação de grupos armados e à violência contínua em Ituri.

 

Para os cristãos, essa epidemia representa mais um obstáculo. Há anos, comunidades em Ituri e no Kivu do Norte vivem sob ataques das ADF. Muitos perderam parentes ou tiveram familiares sequestrados, e aldeias inteiras foram abandonadas repentinamente.

 

Sem lugares seguros onde se abrigar, milhares de pessoas seguem deslocadas. Muitas dormem ao ar livre, escondem-se em florestas e vivem sem acesso regular a comida, água potável ou atendimento médico.

 

Agora, além da violência, essas populações enfrentam uma doença mortal. Medidas básicas de prevenção — como lavar as mãos com frequência, manter isolamento ou buscar tratamento precoce — são quase inviáveis para quem vive em fuga constante para sobreviver.

 

“Elas não têm para onde ir com segurança e nenhuma forma real de se proteger”, declarou o ICC.

 

Diante da crise, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”, um dos níveis mais altos de alerta global, devido ao risco de disseminação além das fronteiras e à necessidade urgente de assistência humanitária.

 

Missionário infectado

 

Enquanto o surto avança, uma organização cristã pediu orações após a confirmação de que um médico missionário norte-americano contraiu Ebola enquanto trabalhava na RDC.

 

O dr. Peter Stafford e sua família integram a Serge, uma organização missionária médica cristã que atua em regiões vulneráveis ao redor do mundo, incluindo o Congo. Ele está atualmente na Alemanha, recebendo tratamento especializado.

 

Outros dois profissionais de saúde — a dra. Rebekah Stafford e o dr. Patrick LaRochelle — também foram potencialmente expostos ao vírus, mas permanecem sem sintomas e seguem protocolos de quarentena e monitoramento.

 

“Nosso coração está com a família Stafford e com as comunidades congolesas que enfrentam este surto. Peter e Rebekah serviram com fidelidade as populações vulneráveis de Nyankunde, com extraordinária compaixão e coragem”, disse Matt Allison, diretor-executivo da Serge.

 

E completou: “A liderança experiente da Serge e sua equipe de campo conhecem bem a região de Ituri e já participaram de ações de resposta ao Ebola. Estamos orando por cura, proteção e misericórdia para todos os afetados.”

 

No Facebook, a missão compartilhou: “Por favor, continuem orando pelo dr. Peter Stafford, missionário médico da Serge que agora foi evacuado em segurança para receber tratamento especializado após contrair Ebola enquanto servia na República Democrática do Congo. Agradecemos pelo cuidado coordenado que está sendo prestado. Continuamos orando pelo Peter, sua família, pelas equipes médicas que atuam na região e pelas comunidades afetadas pelo surto. Mesmo em momentos assustadores, confiamos que Deus encontra as pessoas com misericórdia e presença em meio ao sofrimento.”

 

O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e não se propaga pelo ar nem por interações casuais.

 

Diante do avanço do surto, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA impuseram restrições de viagem para áreas afetadas da África Central, medida que deve vigorar por pelo menos 30 dias.

 

Segundo a CBN News, já foram registrados mais de 500 casos suspeitos e 131 mortes suspeitas na RDC e em Uganda.

FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e o ICC e CBN News

Compartilhe: x
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...
PUBLICIDADE