Além da formação técnica, o “Fios do Sertão” também funciona como um espaço de evangelização - Foto: Divulgação
Iniciativa de missionários em Acauã une capacitação profissional, apoio emocional e fé para gerar renda e esperança.
Em meio às dificuldades de Acauã, pequeno município do interior piauiense com pouco mais de 6 mil habitantes, um projeto social tem revolucionado a vida de mulheres à procura de uma nova chance. Criado pelos missionários Jonathan e Edileide Gomes, o Sarau Missionário oferece, por meio do programa “Fios do Sertão”, um curso livre de corte e costura para mulheres de 16 a 60 anos, combinando qualificação profissional, acolhimento e evangelização.
A ideia surgiu depois que o casal se mudou para a cidade, em agosto de 2024, para atuar na base missionária da Igreja do Sertão. Jonathan explica que o projeto nasceu da observação das carências locais e da experiência de Edileide no ramo da moda.
“Ao chegar, buscamos entender as maiores necessidades da cidade. Minha esposa já tinha formação em moda e costura, então vimos que dava para usar esse saber para criar oportunidades reais”, conta Jonathan, ressaltando que a intenção sempre foi ir além do ensino técnico: restaurar a dignidade e a esperança dessas mulheres.
Antes mesmo do início das aulas, a procura surpreendeu a equipe. O projeto abriu apenas 10 vagas, mas recebeu mais de 80 inscrições. “Havia uma demanda enorme reprimida. Minha esposa conversou individualmente com cada candidata, pois queríamos atender mulheres que realmente desejassem aprender, empreender e reescrever suas histórias”, afirma Jonathan. As atividades da primeira turma começaram em agosto de 2025 e foram finalizadas em janeiro deste ano, com nove formandas.
Além do aprendizado técnico, o “Fios do Sertão” também serve como um ambiente de suporte emocional e espiritual. Durante os encontros, as participantes têm momentos de diálogo, oração e reflexão bíblica. “Procuramos agir de forma espontânea. Em cada aula há um momento devocional, onde elas compartilham dores, desafios e sonhos. Muitas vezes, essas conversas viram um espaço seguro de acolhida e esperança. É ali que apresentamos Jesus como fonte de transformação”, destaca o missionário.
Diante da alta demanda, o casal planeja ampliar a estrutura do projeto e transformá-lo em uma cadeia produtiva local. Atualmente, a quantidade limitada de máquinas de costura restringe as turmas a cerca de dez alunas por edição, mas a meta é atender até 30 mulheres nas próximas etapas. “Queremos criar uma marca feita aqui mesmo em Acauã, com peças produzidas pelas próprias mulheres da comunidade. Nosso sonho é gerar emprego, fortalecer a economia local e mostrar que o sertão também pode ser lugar de desenvolvimento, oportunidade e mudança social”, conclui Jonathan.
FONTE: Kadoshwr com informações do portal Comunhão por Patrícia Schott


