Reprodução - Torcida do Brasil
Pesquisa com 5.745 vídeos do TikTok revela que Nordeste é mais tático, Sul mais rivalizado, Norte mais identitário e Sudeste mais irônico — e alerta marcas: falar com "o brasileiro" é desperdiçar verba.
A menos de 40 dias do início da Copa do Mundo FIFA 2026, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá, o setor publicitário brasileiro recorre ao velho roteiro: filmes emotivos, apelo à união nacional e a mensagem de que "somos todos uma só torcida". Bonito no conceito. Frágil na execução.
Um levantamento inédito da consultoria SUBA, intitulado "Brasil: O País do Torcedor", derruba essa tese. Ao analisar 5.745 vídeos do TikTok, a pesquisa mostra que o país se divide em formas de torcer radicalmente distintas — ignorar essa diversidade é queimar dinheiro.

Foto divulgação - Cinco regiões, cinco formas de viver a Copa
Entre os achados mais surpreendentes:
Nordeste tático: a região, muitas vezes vista como a "paixão raiz", é a que mais discute estratégia — 3,5 vezes acima da média nacional.
Sul rivalizado: o futebol ali é marcado pela tensão entre adversários, uma narrativa de antagonismo que não some.
Norte identitário: torcer é um ato de afirmação cultural e presença.
Sudeste irônico: a relação com o esporte é filtrada por memes, sarcasmo e referências pop.
Centro-Oeste: funciona como uma média do comportamento nacional, sem extremos.
A Copa ainda oferece uma janela curta de unidade nacional, especialmente na estreia do Brasil contra Marrocos, em 13 de junho. Mas, segundo o estudo, essa euforia superficial logo dá lugar às clivagens regionais. Campanhas únicas podem até iniciar uma conversa, mas raramente sustentam relevância até o fim do torneio.
Para a SUBA, a lição é clara: abandonar a ideia de um "Brasil unido" em favor de múltiplas narrativas simultâneas. Menos uma grande campanha, mais Brasis coexistindo. A Copa segue como o maior palco de atenção do país, mas atenção isolada já não basta. O que importa agora é relevância cultural — e o Brasil, insistem os dados, já não cabe num único filme publicitário.
FONTE: Kadoshwr com informações do IG último segundo


