Mirante com letreiro “Jesus”, no estacionamento da Igreja Lírio, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. (Captura de tela/Instagram/Igreja Lírio)
Estrutura, erguida no estacionamento da igreja, busca devolver dignidade à região abandonada e servir como símbolo de fé e evangelização.
A Igreja Lírio inaugurou um ponto de observação com a frase “Jesus” em letras gigantes no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. O equipamento, construído dentro do pátio da própria igreja, já se tornou uma nova atração local. Segundo os líderes religiosos, o projeto foi idealizado com o objetivo de recuperar o espaço público, renovar a espiritualidade e conduzir as pessoas a Cristo.
O pastor Diego Menin, responsável pela Lírio, contou que o planejamento começou bem antes da colocação das letras enormes. “Antes de existir o nome JESUS, aquele terreno estava totalmente degradado. Havia lixo, ocupações irregulares, pessoas em situação vulnerável, consumo de entorpecentes e até resistência quando tentamos intervir”, relatou.
De acordo com Menin, a ação está alinhada à essência da Lírio, fundada em 1979, que busca transformar vidas com base no Evangelho, preservando princípios bíblicos com uma linguagem atual. “Nossa primeira atitude não foi erguer algo, mas regenerar o ambiente. Isso reflete quem somos”, afirmou o pastor.
Alerta para quem serve
Menin também destacou o sentido simbólico do letreiro para os fiéis da comunidade, que hoje reúne mais de 300 voluntários atuando nos cultos.
“Temos uma espiritualidade centrada em Cristo. Precisávamos de algo que nos fizesse recordar constantemente nossa missão. Para não agirmos no automático, para que o trabalho não pese, para que o serviço nunca perca o sentido”, disse. Ele acrescentou que o nome de Jesus realinha o propósito de quem colabora.
“Ao chegar na igreja e deparar com aquele nome, algo desperta dentro da gente. Recordamos o motivo e, acima de tudo, para quem estamos ali. Pois não somos o centro. O centro é Jesus.”
Três significados do letreiro
Para o pastor, a palavra “Jesus” no alto do mirante comunica uma mensagem em três dimensões: interna, externa e evangelística.
1. Dimensão interna: lembrete do verdadeiro propósito
Menin explicou que a estrutura combate uma visão utilitarista da fé, onde as pessoas buscam a igreja apenas por benefícios próprios.
“Isso confronta essa mentalidade moderna de quem frequenta a igreja como consumidor, querendo apenas experiências que satisfaçam suas vontades.”
Ele também reforçou o papel do letreiro para os mais de 300 voluntários: “Quando olhamos para o lado e vemos aquele nome, acorda algo em nós. Recordamos o porquê e para quem servimos. Quem não esquece o motivo não se aborrece por qualquer coisa, não se perde em minúcias, vive tudo de maneira diferente. O motivo não somos nós. É Jesus.”
1. Dimensão externa: recado para a cidade
O segundo aspecto, segundo ele, é público: uma proclamação espiritual para Itaquera e São Paulo.
“Cremos que há um nome acima de qualquer outro: o nome de Jesus. Escolhemos erguê-lo ao ponto mais visível do nosso terreno.”
Ele frisou que Cristo deve estar acima de logotipos institucionais. “Mais do que qualquer identidade visual, Ele é a verdadeira marca. Acima do nome da igreja, o que precisa ser avistado é o nome de Jesus.”
2. Dimensão evangelística: ponte para vidas
O terceiro ponto é o alcance de novas pessoas. Para o líder, o monumento pode servir de porta de entrada para encontros genuínos com Deus.
“Não se trata da estrutura em si, mas do que ela pode provocar. Se algo desperta atenção, leva alguém a se aproximar, e essa pessoa realmente encontra Jesus, então cumpriu seu papel.”
Aposta numa região negligenciada
Menin frisou que, enquanto muitas igrejas procuram regiões nobres, a decisão da Lírio foi permanecer e investir num local abandonado.
“Hoje vemos pessoas de diferentes partes da cidade sendo atraídas para um lugar antes ignorado.”
A obra foi concluída em aproximadamente 45 dias, com preparo prévio, equipe capacitada e dentro das condições da igreja. Sobre a recepção no bairro, ele afirmou ter havido apoio e também críticas.
“Muita gente acolheu com entusiasmo, sentiu-se representada, e outros questionaram. Mas toda transformação significativa sempre causa reação.”
Sem atribuir poder à estrutura
Por fim, o pastor deixou claro que a igreja não enxerga valor espiritual na construção material.
“Não acreditamos que o poder esteja na letra, na estrutura ou na imagem. O poder do nome de Jesus está na fé. O que temos ali é um recurso visual que chama atenção e nos recorda o essencial.”
Segundo a liderança, a inauguração representa mais que a abertura de um mirante; simboliza “a marca de um processo de recuperação daquele território”.
Ele concluiu: “Não são apenas letras gigantes. É um aviso constante do propósito e uma declaração visível de quem está acima de todas as coisas.”
FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame Adriana Bernardo


