...

...

Militantes do Estado Islâmico massacram 25 agricultores cristãos no nordeste da Nigéria

Publicada em: 05/03/2026 12:09 -

Vila de Kirchinga, município de Madagali, após o ataque que tirou a vida de 18 cristãos. (Foto: Ekklesiyar Yan’uwa a Nigeria - EYN News).

 

 

 

Comunidades de Madagali são alvo do quinto ataque em cinco meses; vítimas incluem parente do governador de Adamawa.


Um novo capítulo de violência sectária marcou o fim de fevereiro no estado de Adamawa, na Nigéria, onde pelo menos 25 cristãos foram executados em investidas atribuídas ao grupo Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). As ações ocorreram na Área de Governo Local de Madagali, reduto de maioria cristã e terra natal do governador Ahmadu Umaru Fintiri.

 

O ataque mais letal aconteceu no dia 24 de fevereiro. Um contingente de 50 a 100 insurgentes, vestindo fardas camufladas idênticas às do Exército nigeriano para enganar as vítimas, invadiu simultaneamente as comunidades agrícolas de Kirchinga e Garaha. Dezoito moradores foram mortos no primeiro povoado, enquanto outros sete caíram em Garaha. Dois dias depois, equipes de busca encontraram mais quatro corpos em meio à vegetação da região, elevando o número final de vítimas.

 

Entre os mortos estava Bademi Papka, líder da aldeia de Kirchinga e primo do governador Fintiri. A região enfrenta uma escalada de ataques desde outubro de 2025, totalizando cinco incursões do tipo — todas com assinatura do ISWAP.

 

Sobreviventes descreveram a frieza da operação. "Eles chegaram atirando contra quem estava sob as árvores perto do mercado. Enquanto corríamos para as montanhas, muitos caíam baleados", relatou uma testemunha. "A marca do ISWAP é clara: cercam a comunidade, reúnem os cristãos e os matam."

 

A vulnerabilidade de Madagali é explicada por sua geografia. Situada entre o sul do estado de Borno e a fronteira com Camarões, a área fica às margens da Floresta de Sambisa, conhecido reduto de grupos jihadistas como ISWAP e Boko Haram. O isolamento da região dificulta a chegada rápida de reforços militares, permitindo que os terroristas ajam com liberdade.

 

Para David Idah, diretor da Comissão Internacional de Direitos Humanos, os eventos configuram uma estratégia deliberada. "Não é violência esporádica. É uma campanha sistemática e coordenada para exterminar comunidades cristãs indefesas. Cinco ataques em cinco meses provam que se trata de uma política de terra arrasada", afirmou.

 

Os sucessivos massacres acendem um alerta sobre a capacidade do governo nigeriano de proteger minorias religiosas em regiões remotas, enquanto grupos extremistas ampliam seu domínio no cinturão central do país.

FONTE: Kadoshwr com informaçõesda Guiamee do Barbabas AID

Compartilhe: x
PUBLICIDADE